Vibração Mecânica: RMS, Pico, Frequência, Deslocamento, Velocidade e Aceleração

PREDITIVA • MÓDULO 02

Fundamentos de vibração mecânica

Vibração é movimento oscilatório em torno de uma posição de equilíbrio. Para usar esse sinal na manutenção, precisamos saber o que medimos, em qual unidade, em qual direção e sob qual condição operacional.

〰 AmplitudeHz FrequênciaRMS📡 Sensores
O QUE VOCÊ VAI APRENDER

Entender o conceito e levar para a prática industrial.

  • os fundamentos técnicos de Vibração Mecânica: RMS, Pico, Frequência, Deslocamento, Velocidade e Aceleração;
  • como interpretar grandezas, sinais ou componentes envolvidos;
  • como evitar erros comuns de aplicação e diagnóstico;
  • como conectar teoria, cálculo e observação de campo.
COMEÇANDO AGORA?

Leia por camadas.

Primeiro identifique o fenômeno físico e as variáveis principais. Depois avance para fórmulas, exemplos, tabelas e decisões de manutenção. A meta é compreender o raciocínio, não decorar números.

OBJETIVO

Ler vibração sem transformar um número em diagnóstico.

Você vai diferenciar deslocamento, velocidade e aceleração, entender RMS e pico, converter RPM para Hz e planejar uma medição repetível.

PRÉ-REQUISITO

Velocidade angular e RPM

A rotação é a referência para muitas componentes espectrais.

1. Frequência e período

Frequência é o número de ciclos por segundo. Sua unidade é hertz.

f = 1/T

Para converter rotação:

f_rotacional (Hz) = RPM / 60

Um eixo a 1800 rpm possui frequência rotacional de 30 Hz. Essa referência é frequentemente chamada de 1× RPM no espectro.

2. Deslocamento, velocidade e aceleração

Grandeza Unidades comuns Ênfase prática
Deslocamento µm pico a pico, mils Movimento relativo, especialmente em baixas frequências e máquinas específicas
Velocidade mm/s RMS Energia vibratória em faixa ampla; muito usada em avaliação global
Aceleração m/s², g Boa sensibilidade a fenômenos de frequência mais alta

Para um movimento senoidal simples, derivar deslocamento no tempo produz velocidade; derivar velocidade produz aceleração. Por isso a mesma vibração assume amplitudes diferentes conforme a grandeza escolhida.

Três lentes para o mesmo movimento: em uma vibração senoidal, x(t)=X·sen(ωt), v(t)=ωX·cos(ωt) e a(t)=−ω²X·sen(ωt). Por isso a aceleração ganha peso nas frequências mais altas. A escolha do sensor e da grandeza deve acompanhar o fenômeno que se quer enxergar, não apenas a unidade disponível no instrumento. Veja exemplos no Simulador de Vibração e FFT.

3. RMS, pico e pico a pico

RMS representa o valor eficaz do sinal. Em uma senoide pura:

RMS = Pico / √2
Pico a pico = 2 · Pico

Em sinais reais com impactos e múltiplas frequências, essas relações simples não devem ser aplicadas como se o sinal fosse senoidal.

Comparação correta: compare valores com a mesma grandeza, unidade, faixa de frequência e método de processamento.

4. Direções de medição

Em mancais, medições são normalmente organizadas em direções radial horizontal, radial vertical e axial. A orientação ajuda a entender como a estrutura responde às forças.

  • radial horizontal pode ser mais flexível em determinadas bases;
  • radial vertical conversa com rigidez e carga estrutural;
  • axial é importante em empuxo, acoplamentos e certos desalinhamentos.

Não existe direção “universalmente melhor”. O conjunto mecânico define onde a informação aparece.

5. Sensores

Sensor Princípio / saída Uso típico
Acelerômetro Mede aceleração Rotas portáteis e monitoramento amplo
Sensor de velocidade Saída proporcional à velocidade Aplicações industriais específicas
Proximidade Deslocamento relativo eixo-mancal Máquinas com mancais de filme fluido e monitoramento permanente

6. Repetibilidade é parte da medição

Posição do sensor, método de fixação, carga, rotação e faixa de frequência precisam ser consistentes. Mudar o ponto alguns centímetros pode alterar bastante a resposta estrutural.

  1. marque o ponto;
  2. mantenha direção e sensor;
  3. registre RPM e condição de carga;
  4. use configuração de coleta equivalente;
  5. acompanhe tendência no mesmo ponto.
PRÓXIMO MÓDULOFFT, Espectro e Ordens →Separe o sinal em frequências para enxergar padrões.REVISARVelocidade angular e RPMReforce a conversão entre rotação e frequência.
LABORATÓRIOSimulador de Vibração & FFT →Altere RPM e intensidade das falhas e veja o sinal reagir.
ARTIGO TÉCNICO 3.0 • VIBRAÇÃO

Amplitude diz quanto. Frequência diz onde procurar.

Antes de interpretar espectros, separe RMS, pico, deslocamento, velocidade e aceleração.

Exemplo resolvido

Eixo a 1.775 rpm. Uma componente senoidal de velocidade tem pico de 7,1 mm/s.

f₁x = 1775/60 ≈ 29,58 Hz
Vrms = 7,1/√2 ≈ 5,02 mm/s

A relação pico/√2 vale para senoide pura. Em sinal real, o RMS deve ser calculado a partir do próprio sinal.

Abrir Simulador de Vibração & FFT →

CHECKLIST DE CAMPO

Antes de concluir, confirme o contexto.

Dados mínimos

  • TAG/equipamento e condição operacional;
  • rotação, carga, temperatura ou pressão quando aplicável;
  • histórico de intervenção e tendência;
  • unidades e instrumentos utilizados.

Validação técnica

  • compare mais de uma evidência;
  • registre condição antes de desmontar;
  • evite condenar componente por um único sintoma;
  • confirme limites no manual/catálogo vigente.
REFERÊNCIAS E APROFUNDAMENTO

Use fontes técnicas primárias.

Para dimensionamento ou decisão de manutenção, confronte o conteúdo com normas aplicáveis, manuais do fabricante e literatura técnica atual. Valores de catálogo, tolerâncias e limites dependem do equipamento e da versão do documento.